Museu Casa Guilherme de Almeida, São Paulo, Brasil

A Casa Guilherme de Almeida é um museu biográfico e literário na cidade de São Paulo, no Brasil. Fundado em 1979, é um museu público estadual, subordinado à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, administrado em parceria com uma organização privada, com recursos do tesouro. O museu está instalado na residência onde Guilherme de Almeida morou de 1946 até o ano de sua morte (1969), conhecida como Casa da Colina, localizada no bairro de Pacaembu.

O museu tem como objetivo conservar, organizar e expor a coleção bibliográfica, histórica, artística e documental que pertencia ao poeta e tradutor Guilherme de Almeida, além de estimular e realizar pesquisas e estudos críticos sobre o seu trabalho e disseminar a literatura e autores nacionais em geral. Também mantém o Centro de Estudos de Tradução Literária, responsável pela organização e ensino de cursos e outras atividades relacionadas à teoria e prática da tradução.

A Casa Guilherme de Almeida possui uma coleção de aproximadamente 15.300 peças, na qual se destaca sua grande e diversificada biblioteca, além de uma coleção significativa de obras de arte de grandes expoentes do modernismo brasileiro (como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti , Lasar Segall e Victor Brecheret), muitos dos quais foram oferecidos ao poeta pelos próprios autores. A coleção também inclui objetos de decoração, roupas, têxteis, elogios, numismática, joias, discos e outros objetos pertencentes a Guilherme e sua esposa, Belkiss Barrozo de Almeida (Baby de Almeida).

Visão geral
O museu biográfico-literário da Casa Guilherme de Almeida é administrado pelo Departamento de Cultura e Poesia do Estado de São Paulo – Organização da Sociedade Civil para a Cultura. Inaugurado em março de 1979, o museu que também foi o lar de Guilherme de Almeida de 1946 até sua morte em 1969 abriga atualmente objetos da coleção particular desse poeta, linguista, jornalista e advogado reconhecido como um dos fundadores intelectuais da Movimento modernista brasileiro.

A coleção em exposição na Casa Guilherme de Almeida contém muitas obras de arte (gravuras, esboços, esculturas e pinturas) concedidas ao poeta por artistas como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Emiliano di Cavalcanti, Lasar Segall e Victor Brecheret; todos os quais contribuíram grandemente para o movimento modernista brasileiro.

O museu também inclui a extensa e diversificada biblioteca do escritor, uma coleção de jornais e revistas e arquivos fotográficos, além de móveis raros e ornamentos cuidadosamente selecionados e adquiridos por Guilherme e sua esposa, Baby de Almeida, ao longo de sua vida. Os visitantes também podem procurar artefatos relacionados a um dos movimentos históricos mais importantes de São Paulo e aquele em que o poeta era uma figura-chave, a Revolução Constitucionalista (Revolução Constitucionalista, 1932).

A Casa Guilherme de Almeida foi criada não apenas para preservar artefatos históricos relacionados à vida do poeta, mas também para divulgar suas obras por meio de um intenso programa cultural projetado para abranger todos os diversos interesses e atividades de Guilherme; cursos, oficinas, palestras, mesas-redondas e recitais oferecem aos visitantes a oportunidade de aprender mais sobre sua vida e obra. Guilherme de Almeida foi produtivo em muitas áreas, mas foi o reconhecimento que ganhou pela excelência de suas traduções de poesia que motivou o museu a criar um Centro de Estudos de Tradução Literária, que oferece uma série de atividades relacionadas à teoria e prática da tradução. Após extensa reforma e reforma, o museu foi reaberto ao público.

História
Inaugurada em março de 1979, a casa-museu – instalada na residência onde residiu de 1946 até o ano de sua morte – abriga a coleção composta por objetos pertencentes ao poeta, tradutor, jornalista e advogado de São Paulo Guilherme de Almeida ( 1890-1969), um dos mentores do movimento modernista brasileiro.

Guilherme de Almeida
Guilherme de Almeida (1890-1969), poeta, linguista, jornalista, tradutor, crítico de cinema e advogado, foi uma figura importante na vida cultural do Brasil durante sua vida e é reconhecido como um dos fundadores intelectuais do movimento modernista brasileiro. A estréia literária de Guilherme ocorreu em 1916 com Mon Coeur Balance e Leur Âme, duas peças de teatro escritas em colaboração com Oswald de Andrade. Seu primeiro livro de poesia, Nós, foi publicado em 1917. Em 1922, ele desempenhou um papel importante na Semana de Arte Moderna de São Paulo e ajudou a fundar a revista Klaxon (a principal publicação do movimento) como parte da equipe editorial.

Guilherme de Almeida seguiu, inicialmente, a profissão de seu pai, Estevam de Almeida, formado em Direito pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em 1912. Paralelamente à sua atuação como jornalista (editor dos jornais O Estado de S. Paulo e Diário de São Paulo, diretor da Folha da Manhã e Folha da Noite e fundador do Jornal de São Paulo), iniciou sua carreira literária em 1917, com a publicação do livro de poesia Nós. Pouco tempo depois, ele participou da Semana de Arte Moderna de 1922, criou a capa e ajudou a manter a revista Klaxon.

Guilherme de Almeida se comprometeu a difundir idéias para a renovação da arte e da literatura nacional, como mostram os livros Meu e Raça (1925), fiéis ao tema brasileiro e ao sentimento nacional. Entretanto, sua atuação política (participante ativo e combatente da Revolução Constitucionalista de 1932, conquistando o epíteto “O Poeta de 32”), sua estreita colaboração com as autoridades públicas (autor do Hino dos Bandeirantes e heraldista) e um o retorno progressivo às matrizes clássicas da poesia e a preocupação com a perfeição formal (Camoniana, 1956; Pequeno Cancioneiro, 1957) levariam o crítico posterior a relegar sua produção artística a um segundo nível, rotulando-o como “conservador”.

No entanto, Guilherme de Almeida era um poeta com amplo domínio da ciência dos versos e da linguagem, além de um tradutor especializado (Paul Géraldy, Rabindranath Tagore, Charles Baudelaire, Sófocles, Jean-Paul Sartre, etc.). Foi membro da Academia Paulista de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, do Seminário de Estudos Galegos de Santiago de Compostela, do Instituto de Coimbra e da Academia Brasileira de Letras.

Casa da Colina e o museu
A Casa Guilherme de Almeida, considerado o primeiro museu biográfico e literário da cidade de São Paulo, opera na antiga residência onde o poeta e sua esposa, Baby de Almeida, viveram por quase três décadas. A moradia de aproximadamente 240 m 2, localizada na Rua Macapá, no bairro de Perdizes, foi projetada pelo arquiteto Silvio Jaguaribe Eckmanin em 1944 e sua construção foi concluída em 1946, no mesmo ano em que o casal começou a habitá-la. A escolha do poeta de morar em um bairro pouco habitado e relativamente distante do centro intrigou seus amigos, mas foi precisamente o isolamento que agradou Guilherme de Almeida, como pode ser deduzido de uma composição inspirada na propriedade, que ele apelidou de Casa da Colina: “O lugar era tão alto e tão sozinho que nem precisei olhar para o céu nem abaixar meus pensamentos para pensar em mim”.

Durante o período em que foi habitado por Guilherme e Baby, a Casa da Colina se tornou uma espécie de refúgio intelectual, ponto de encontro de importantes membros da comunidade artístico-literária de São Paulo, como os escritores Oswald de Andrade e António Botto, o escultor Victor Brecheret e os pintores Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Di Cavalcanti. Não raro, esses frequentadores ofereciam ao casal obras próprias para decorar a residência, transformando-a em uma espécie de microcosmo da vanguarda de São Paulo.

Após a morte do poeta em 1969, o governo do estado, então representado por Abreu Sodré, adquiriu de Baby de Almeida todo o acervo bibliográfico, artístico, documental e histórico que pertencia ao casal, bem como a residência e seus móveis, já com o intenção de transformar a propriedade em museu, preservando a decoração e o layout originais das peças. O museu, no entanto, foi aberto apenas uma década depois, em 13 de março de 1979, durante o governo de Paulo Egydio Martins, e legalmente instituído em 1 de junho de 1983, a administração André Franco Montoro, sob o nome “Museu de Literatura” – Casa Guilherme de Almeida “(ML-CGA).

Os objetivos do museu são: a constituição, manutenção e disseminação de uma coleção de literatura brasileira e de seus autores; a preservação da memória de Guilherme de Almeida, através da conservação, organização e exposição de seus pertences e o incentivo à realização de estudos críticos sobre seu trabalho; a promoção de atividades de divulgação educacional e cultural relacionadas à literatura brasileira.

Em setembro de 2006, devido a uma série de problemas estruturais, o museu foi fechado à visitação pública, tendo sido reaberto apenas em 11 de dezembro de 2010, após uma reforma paga pela Secretaria de Cultura. O museu foi equipado com um elevador e adequado para receber pessoas com deficiência física e mobilidade reduzida. Durante o período em que foi fechado, o museu realizou atividades culturais em outros espaços, como a Casa das Rosas, na Avenida Paulista. Seguindo a nova orientação de sua política cultural, o governo do estado transferiu a administração do museu para uma organização social da cultura (associações privadas subsidiadas pelo poder público) denominada “Poiesis”, também responsável pela administração da Casa das Rosas, a Biblioteca de São Paulo e Museu da Língua Portuguesa.

Em 24 de agosto de 2010, a Lei Municipal nº 15.258, de Chico Macena, batizada de Praça Casa da Colina, é uma rua do bairro de Pacaembu, localizada entre as ruas Tefé, Olavo Freire e Tácito de Almeida.

Desde março de 2014, a Casa Guilherme de Almeida possui um espaço complementar na Rua Cardoso de Almeida, 1943, nas proximidades do museu. O anexo abriga parte da administração, reserva técnica, coleção de arquivos, laboratório de restauração de livros e salas de aula para cursos e outros eventos. Uma conquista importante do museu, que pode realizar suas atividades com melhor infraestrutura e seguir seu caminho de consolidação e crescimento de suas ações.

Coleção
A Casa Guilherme de Almeida abriga uma coleção de aproximadamente 15.300 itens, incluindo obras de arte, móveis, objetos de decoração, roupas, têxteis, elogios, numismática, livros, documentos, jornais, fotografias, discos, etc.

Particularmente relevante é a coleção de artes visuais (150 peças), composta por pinturas, esculturas e desenhos de grandes expoentes do modernismo brasileiro, como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Antonio Gomide e Samson Flexor. Destaca-se o bronze de Victor Brecheret, chamado Sóror Dolorosa (com o mesmo nome de poema de Guilherme), exposto durante a Semana de Arte Moderna de 1922, a cabeça de um bebê esculpida por William Zadig e o busto de Guilherme, de Joaquim Figueiras. Há também um grupo de brasileiros, destacando algumas litografias de Johann Moritz Rugendas.

As coleções de móveis (68 objetos) e artes decorativas (490 objetos) possuem diversas peças relevantes, destacando-se os talheres, originários do Brasil, Portugal, Holanda e Inglaterra, especialmente um bule do século XVII, incrustado de cristal de rocha cortado e cortado, o que pertencem a Maurício de Nassau, além de porcelanas, tapeçarias, joias, etc.

A biblioteca possui cerca de 5.500 livros, incluindo quase toda a obra de Guilherme de Almeida, literatura brasileira, portuguesa e outras, publicações sobre cinema e artes em geral, livros jurídicos, publicações de interesse histórico e arquitetônico. Entre os livros raros, há um volume de pergaminho do século XVII, uma cópia da quinta reimpressão de Ulisses por James Joyce e primeiras edições com dedicatórias de escritores como Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Guimarães Rosa.

O arquivo contém hemeroteca, correspondência, álbuns, honras, mapas antigos, fotografias, diários, manuscritos e outros pertences de Guilherme de Almeida, além de testemunhos de sua participação na Revolução Constitucionalista de 1932.

Coleção iconográfica
A coleção em exposição na Casa Guilherme de Almeida contém muitas obras de arte (gravuras, esboços, esculturas e pinturas) concedidas ao poeta por artistas como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Emiliano di Cavalcanti, Lasar Segall e Victor Brecheret; todos os quais contribuíram grandemente para o movimento modernista brasileiro.

A biblioteca
O museu inclui a extensa e diversificada biblioteca do escritor, uma coleção de jornais e revistas, arquivos fotográficos, além de móveis raros e ornamentos cuidadosamente selecionados e adquiridos por Guilherme e sua esposa, Baby de Almeida, ao longo de suas vidas.

Os quartos da casa
A moradia de aproximadamente 240 m², situada na rua Macapá, no bairro de Perdizes, foi projetada pelo arquiteto Silvio Jaguaribe Ekman em 1944 e sua construção foi concluída em 1946, no mesmo ano em que o casal Guilherme e Baby foram morar.

Fragmento da crônica “Escadaria da minha Mansarda”
Íngreme, estreita, escura e curva é a escada que sobe à minha mansarda. Capaz de tirar o fôlego de velhos, porém, nunca ameaçou meu coração machucado. Pelo contrário, isso me leva levemente, como se eu estivesse alado, como os anjos na escada de Jacob ”. Guilherme de Almeida

Programação de museus
Os muitos campos de trabalho de Guilherme de Almeida definem as atividades que são realizadas aqui no museu.

Centro de Estudos de Tradução Literária
Devido à importância desse poeta como tradutor, o museu Casa Guilherme de Almeida associa às suas atividades educacionais e museológicas o papel de um Centro de Estudos de Tradução Literária. Isso permite que um público mais amplo reconheça a especificidade da tradução literária e poética. O Centro de Estudos promove a tradução literária por meio de ensino, pesquisa, publicação editorial e eventos especiais.

Atividades

Transfusão
Reunião Anual de Tradutores Literários, promovendo a troca de conhecimentos entre autores e tradutores do Brasil e de outros países. Programa de estágio. Uma parceria com a Universidade de Birmingham, que oferece aos estudantes de graduação a chance de passar algum tempo em São Paulo trabalhando no museu, traduzindo Guilherme de Almeida para o inglês. Parcerias – Nosso Centro de Estudos colabora com instituições acadêmicas e não acadêmicas nas áreas de educação e treinamento, pesquisa e desenvolvimento de atividades de tradução. Entre essas instituições estão: Fundação Nacional de Bibliotecas (FBN), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal Fluminense (UFF). Programa formativo para tradutores literários que permite que os alunos se familiarizem com aspectos teóricos e históricos da tradução e com a prática da tradução.

Cinematographos
“Cinematographos” é o nome original da coluna que Guilherme de Almeida escreveu, diariamente, no O Estado de S. Paulo, um dos maiores jornais do Brasil. Essa coluna foi dos anos 20 aos 40 e estabelece Guilherme como pioneiro na crítica de cinema em nosso país. Durante 16 anos, ele escreveu mais de mil críticos de cinema sobre muitos temas. Com um programa intenso e diversificado, a Sala de Triagem Cinematográfica está aqui para revisitar essa atividade de Guilherme, propondo debates, difusão e reflexões sobre o cinema e seus diversos aspectos.

Outras atividades
A Casa Guilherme de Almeida e seu anexo promovem um intenso programa nas áreas de educação e disseminação da cultura. Alguns de nossos destaques são: – Encontros peripatéticos: inspirados no conceito aristotélico de “aprender a passear” – Bloomsday: tradicional festa literária em homenagem do trabalho do escritor irlandês James Joyce. – Semana Guilherme de Almeida: Em julho, mês de nascimento e morte do poeta, o museu realiza uma semana de eventos voltados para sua obra literária. – Grupo de Pesquisa e Análise dos trabalhos de Guilherme. – Oficina de Restauração de Livros.

Visitação
As visitas à Casa Guilherme de Almeida – sempre lideradas por educadores – podem ser agendadas ou espontâneas e sempre gratuitas. A Casa Guilherme de Almeida está preparada para receber pessoas com deficiência física, auditiva ou visual, oferecendo oficinas artísticas e literárias como atividades complementares aos visitantes.

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